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De Bello Gallico [1:13-14]

[1:13]


Após a batalha, César mandou construir uma ponte sobre o rio Saône para poder alcançar as forças restantes dos helvécios, e atravessou seu exército por ela. Os helvécios, alarmados com a repentina chegada de César, enviaram embaixadores.


O chefe dessa embaixada foi Divicão, o mesmo que liderara os helvécios na guerra contra Cássio. Ele negociou com César da seguinte maneira: se o povo romano quisesse fazer a paz com os helvécios, eles seguiriam para onde César determinasse e lá permaneceriam. Mas, se César persistisse na guerra, deveria se lembrar do antigo infortúnio do povo romano e da bravura dos helvécios.


Júlio César e Divicão conferenciam após a batalha no rio Saône. Reprodução de pintura de Karl Jauslin (1842–1904) inspirada nas descrições de César. (https://commons.wikimedia.org/).


Divicão lembrou a César que, quando este atacou de surpresa a única tribo que não podia receber auxílio dos que haviam cruzado o rio, não deveria atribuir a isso uma coragem excepcional ou tão pouco desprezar seus inimigos. Disse que havia aprendido com seus antepassados ser melhor lutar com bravura do que recorrer à astúcia ou a emboscadas, e que César não deveria permitir que o nome do lugar em que se encontravam ficasse eternamente associado à calamidade do povo romano e à destruição de seu exército, pois esta memória se tornaria perpétua.


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César respondeu à embaixada. Disse que não duvidava, pois se lembrava bem do que os enviados dos helvécios mencionavam. Porém, quanto menos merecida considerava ter sido aquela agressão ao povo romano, mais ele lamentava. Agora, se César acreditasse que havia cometido alguma injustiça, poderia evitar o confronto, mas, salvo engano, não conseguia entender por que deveria temer por algo que não havia feito. E, mesmo que quisesse esquecer as antigas ofensas, como poderia obliterar as recentes? Acaso a tentativa de forçar passagem pelas Províncias e a invasão dos heduos ambarros e alobroges era algo que ele poderia ignorar?


Os helvécios vangloriaram-se de suas vitórias de modo insolente, e disseram-se admirados de ver como haviam infligido injustiças por tanto tempo sem sofrer qualquer consequência.


– Mas os deuses imortais – disse César – têm o costume de conceder àqueles a quem desejam punir por suas más ações ocasiões favoráveis e impunidade duradoura, para que lamentem mais amargamente a mudança de fortuna.


E disse que, se os helvécios entregassem a ele reféns e cumprissem suas promessas – e César acreditava que eles assim o fariam –, e se compensassem os heduos pelas injustiças acometidas contra eles e seus aliados, então estabeleceriam a paz.


Divicão respondeu que os helvécios tinham o costume de receber reféns, não de entregá-los, e que o povo romano era testemunha disso. E, com essa resposta, partiu.

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